quarta-feira, 28 de março de 2012

Qual a Cor do Sol?

Esta é mais uma das muitas questões disparatadas (do género “porque razão a noite é escura?”) que proferida em sociedade receberia na melhor das hipóteses um pálido sorriso de comiseração.
É sabido (desde que Prévost em 1790 o demonstrou) que qualquer corpo com temperatura emite calor por radiação. Este simples facto iria, 100 anos mais tarde, desencadear uma das maiores revoluções do pensamento humano: o surgimento dos quanta. Mas isso poderá ser tema para um futuro post…
As leis da Física (lei do deslocamento de Wien,Nobel 1911) permitem estimar a temperatura de uma fonte de radiação a partir do conhecimento do seu espectro de emissão.
A temperatura da superfície do Sol é aproximadamente 6000 ºC. A essa temperatura o Sol, tal como todas as estrelas com essa temperatura superficial, aparece branco a um observador acima da nossa atmosfera ( tal como aparece aos astronautas da Estação Espacial Internacional) pois todas as cores chegam à retina ao mesmo tempo. E como se sabe desde o tempo do grande (pequeno em estatura) Newton a soma de todas as cores resulta na cor branca.
                                                          
                                                         Sol visto pela Estação Espacial Internacional

Sim…mas nós vemos um Sol amarelo. A vista não engana (a não ser para um daltónico)…
É verdade que vemos o Sol amarelo…mas não nos podemos esquecer que estamos mergulhados numa atmosfera de diferentes gases. O efeito da atmosfera terreste é difundir a luz do Sol, eliminando as cores violenta e azul (pequeno comprimento de onda), e com a redução dessas cores o sol torna-se….amarelo a um observador situado na superfície da Terra? Se tivéssemos na superfície da Lua tornaríamos a ver um sol branco.
E porque razão o sol difunde essencialmente o violeta e o azul?
Isto foi explicado por Rayleigh (1909)que disse basicamente o seguinte: para a difusão de uma onda é necessário que as dimensões das partículas difusoras,r, sejam da mesma ordem de grandeza do comprimento da radiação excitante, c.d.o. Por isso a difusão é selectiva, quer dizer, uma partícula pode ser difusora para uma radiação de um dado c.d.o. e não ser para outra. O parâmetro fundamental é:
p=(2.pi.r)/c.d.o. 
Se p<1 tem-se a difusão de Rayleigh.
E apesar de me afastar um pouco do tema do post tenho que realçar a importância da difusão da luz solar (coisa que não é feita nas nossas escolas, onde se enfatiza a reflexão). 
Se não houvesse difusão da luz solar não veríamos os objetos à sombra. Só poderíamos ver e observar os objetos que fossem iluminados diretamente pelo Sol. Num dia coberto de nuvens, sem a difusão,ficaríamos praticamente às escuras. E o nosso belo azul português, sem a difusão, seria escuro como breu.
E para terminar…Quem mereceria o tal sorriso de comiseração?

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