Toda a vida da Humanidade se desenvolveu a baixas energias. Com
efeito a energia produzida através das reacções químicas é apenas de
alguns eV.
Por exemplo a energia captada
por um electrão entre os terminais de uma vulgar pilha é cerca de 1 eV. É
a ordem de grandeza da energia posta em jogo por um átomo no decurso de
uma reacção química, como as que se produzem no interior de uma pilha e
permitem o seu funcionamento. A energia das combustões ( a principal
fonte de energia das sociedades) vai pouco mais além. A própria energia
solar que nos aquece e desencadeia a fotossíntese tem energias na gama
de poucos eV- 11,6 eV é já uma energia brutal transportada pelos fotões
pois arrancam o electrão do Hidrogénio, ionizando-o.
A primeira
vez que a Humanidade assistiu à libertação de uma quantidade
inimaginável de energia foi pelas piores razões- Horoshima e Nagasaki. 1
000 000 eV (1 MeV) libertados em poucos segundos e duas cidades quase
instantaneamente arrasadas.
O maior acelerador do mundo
actualmente - o LHC - tem capacidade para produzir 1 000 000 de vezes
mais eenrgia que a libertada na década de 40 do século passado, isto é, 1
Tera Ev (1x exp(12) eV). Qual a utilidade de se produzir tanta energia?, perguntarão os utilitaristas.
Existem duas boas razões, uma dada pela Mecânica Quântica (MQ) e a outra pela Relatividade de Einstein.
Ao
tentar estudar a estrutura da matéria usando um microscópio a natureza
ondulatória da luz impõe um limite inexorável ao que é observado: é
impossível ver estruturas com dimensão inferior ao comprimento de onda
(c.d.o.) da luz que incide sobre o objecto que é observado.
O
c.d.o. da luz visível é da ordem de 0,5 mícron ( 0,5 x exp( -6),
portanto o microscópio óptico que usa luz visível apenas verá objectos
com dimensão superior a 0,5 mícron. Todo esse conhecimento provém da
Óptica Clássica.
A MQ descobriu que todos os objectos têm uma
natureza dual:corpuscular e ondulatória que se manifesta através da
equação de de Broglie:
c.d.o. =h/p
h = constante de Planck
p= momento linear
O que está equação nos diz é que quanto maior o c.d.o. menor o momento linear, as pequenas distâncias (por via do c.d.o.) estão relacionadas com a energia ( por via do momento linear)- é o que nos ensina a MQ e motiva a construção dos enormes aceleradores de partículas.
A
título de exemplo: a energia luminosa da ordem os eV permite distinguir
uma bactéria de dimensão 0,5 mícron, mas para atingir a resolução de um
trilionésimo de metro (1 x exp (-18)), isto é, para "ver" um núcleo
atómico, a energia do fotão já terá que ser da ordem de 100 mil milhões
de eV (100 GeV). Os microscópios electrónicos que usam uma tensão de 100
000 volts para acelerar os electrões cujo c.d.o. é da ordem dos 2x exp
(-12) já permitem "ver" estruturas menores que a bactéria, por exemplo,
um vírus.
Em
1905 Einsteins demonstrou que massa e energia são manifestações
diferentes de uma mesma realidade. Se concentrarmos num ponto uma
energia suficiente podem ser criadas partículas por materialização de parte dessa energia.
A
actual experiência do CERN com o monumental LHC serve apenas para criar
novas partículas através de violentas colisões entre protões.E como a
energia atingida envolvida é a mais alta energia alguma vez atingida
pelo ser humano, as partículas que se criarem na Suíça nunca surgiram
antes no nosso planeta: o bosão de Higgs, as partículas supersimétricas
e, quiçá, outras totalmente desconhecidas.
Apesar
da energia alcançada pelo LHC ser impressionante é totalmente
insignificante face às energias cósmicas, por exemplo, a energia
libertada pela morte de uma estrela.
"Não ter medo da queda. Foi assim que se construiu a Ciência: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham." Rubem Alves
domingo, 24 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
As Ressonâncias de Schumann- O Pulsar da Terra?
Em cada
segundo existem, aproximadamente, 2000 tempestades no nosso planeta, produzindo
uma média de 50 relâmpagos por segundo. Tanta descarga eléctrica origina
forçosamente um campo electromagnético que rodeia a Terra, aprisionada entre a
sua superfície e a ionosfera.
E porque
razão essa radiação fica aprisionada?
A Ionosfera
fica sensivelmente a 50 km da superfície terrestre, e é constituída por átomos
e moléculas que perderam 1 ou mais electrões ao sofrerem o efeito da radiação solar e da radiação cósmica. A
espessura da Ionosfera é aproximadamente 500 km.
Entre a
superfície da Terra e a Ionosfera há uma diferença de potencial de 50 000 volts-
uma espécie de condensador esférico: uma das placas é a superfície, a outra
placa é a Ionosfera e o meio dieléctrico é o ar. É entre essas placas que fica
aprisionada a radiação electromagnética (EM) originada pelas 2000
tempestades/dia. Nesse confinamento a radiação é estacionária, apresenta
frequência determinadas chamadas as ressonância de Schumann, do mesmo modo
que uma corda presa nas suas 2 extremidades apresenta frequência de
ressonância.
E é muito
fácil determinar a frequência fundamental.Como o raio da Terra é 40 000 km e é
conhecida a velocidade da radiação em 1 segundo a radiação EM dará 7,5
voltas ao nosso planeta,isto é,
frequência
fundamental da ressonância Schumann = 7,5 Hz
Claro que há
mais ressonância de Schumann: 14 Hz,20Hz, 36Hz….que se podem extrair da
conhecida equação das ondas estacionárias:
c.d.o. =
n.2.pi.r
c.d.o.=
comprimento de onda da radiação
r = raio da
Terra
n = número
natural que pode tomar os valores 1, 2, 3…..
As
ressonâncias de Schumann foram previstas por W. Schumann, físico alemão, em
1952 e só em 1960 foram detectadas.
Hoje em dia
são usadas como meio de monitorizar a temperatura global da Terra, entre outras
aplicações.
O núcleo
interno da Terra tem um raio aproximado de 7500 Km. O campo eléctrico
(correspondente às correntes internas) em torno desse núcleo interno tem uma frequência
aproximada de umas das frequências de Schumann, 40 Hz (basta dividir 300 000
km/s/7500 Km). Mera coincidência?
Outra coincidência
curiosa é entre as frequências de
Schumann e a frequência das ondas cerebrais. Vejamos:
Ondas
Beta entre 14 Hz e
25 Hz
Ondas
Alfa entre 8 Hz e
13 Hz
Ondas Teta entre 4 Hz e 7 Hz
Mais uma coincidência?
segunda-feira, 11 de junho de 2012
E Tudo Começou Com A Lua- O Caos Deterministico
No século XVI os cálculos das posições lunares eram uma
necessidade urgente para os navegadores (também navegavam de noite…).E como os
homens sempre gostaram de se divertir e têm necessidade do comércio a
existência de um bom calendário era fundamental para o estabelecimento de um
calendário exacto. Mas na altura o que existia era a teoria geocêntrica de Ptolomeu,
e como esta teoria está errada, levava a cálculos errados- os erros iam-se
acumulando, a Lua desviava-se cada vez mais relativamente à posição calculada.
Os cálculos heliocêntricos de Kepler eram mais precisos mas
ao fim de algum tempo a Lua teimava em não aparecer ao rendez vous previsto pela teoria.
Quando o grande Isaac Newton se debruçou sobre o problema da
Lua introduziu uma novidade: o movimento daquela não se devia unicamente à sua
atracção terrestre, mas também ao longínquo Sol. Newton devia sentir-se
confiante: resolvera o problema de um corpo submetido à gravidade do outro e
apresentara a solução que o movimento só poderia ser uma hipérbole, uma parábola
ou uma elipse. Pequena modificação seria introduzir um 3º corpo…Ingenuidade! As
grandes mentes também podem ter momentos de ingenuidade. O problema dos
3-corpos ainda hoje é irresolúvel. Não existe solução analítica para o
problema. Newton teve que utilizar o método
das aproximações. A ideia
consiste em ter em conta 1º o efeito principal, no caso o efeito gravitacional
da Terra, o que não é difícil porque se tem unicamente um problema de 2-corpos.
A acção do 3º corpo é em seguida considerada uma perturbação. O cálculo dessa
perturbação é que é difícil! Nem mesmo o génio de Newton o conseguiu levar a
bom porto, o que lhe originou apenas enormes
dores de cabeça enquanto trabalhava no problema da Lua, segundo as palavras
do próprio.
O problema colocado pela Lua pode ser reformulado mais genericamente:
o sistema solar é estável? Os
planetas seguem obedientemente as suas órbitas elipticas ou alteram-se radicalmente
num futuro longínquo por efeito das perturbações gravitacionais provocadas
pelos outros planetas?
Henri Poincaré (1854-1912) ao tentar resolver esse problema
inventou um método totalmente novo- o plano de Poncaré. Imaginou um plano a
intersectar o órbita planetária. Se o movimento é periódico intercepta esse
plano sempre no mesmo ponto, ao invés um movimento mais complicado que nunca se
repete engendrará um infinidade de pontos nesse plano. Ao examinar esses
desenhos fez uma descoberta inesperada e
revolucionária: uma pequena alteração na posição ou velocidade iniciais de
um dos 3 corpos podia modificar totalmente a sua órbita. Descobria-se assim o caos no sistema solar. Apesar dos planetas obedecerem
à rigorosa lei da Gravitação Universal de Newton as suas órbitas estão
igualmente sujeitas ao imprevisto, ao caos. Caos determinístico como é actualmente designado.
Agora percebemos as dores de cabeça de Newton e o seu
fracasso: no coração das suas equações deterministícas aloja-se a incerteza e o caos. Como poderia ele descobrir uma solução absolutamente deterministíca usado a sua teoria se essa solução não existe?
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