"Não ter medo da queda. Foi assim que se construiu a Ciência: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham." Rubem Alves
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
A Supercondutividade e a Mecânica Quântica
Como todos sabemos a supercondutividade é o desaparecimento total da resistência eléctrica de um material abaixo de uma temperatura crítica, caracteristica desse material.
Mas um supercondutor não é apenas um condutor perfeito,É também caracterizado pela expulsão de campos magnéticos estáticos do seu interior, um fenómeno conhecido por efeito Meissner, que irei brevemente explicar por não ser tão bem conhecido.
Um metal (não magnético) comporta-se como o vácuo pois as linhas de forças magnéticas atravessam-no sem sofrer alterações.Mas o mesmo material abaixo da sua temperatura crítica, isto é, no estado supercondutor, adquire uma nova propriedade: o campo magnético é expelido do seu interior. Porquê? A chave da explicação reside nas correntes induzidas: na presença de um campo magnético, quando a temperatura desce abaixo do seu valor crítico , são geradas
supercorrentes persistentes que produzem um campo magnético tal que anula o campo magnético externo no interior do supercondutor.
O efeito Meissner dá origem à repulsão entre os supercondutores e os magnetes permanentes- é o fenómeno da levitação magnética.
E porque razão existe a levitação magnética? As correntes que cancelam o campo exterior criam um campo magnético que é uma imagem de espelho do do magnete, dando origem à repulsão magnética e que a distâncias curtas pode ser suficiente para equilibrar o seu peso, mesmo que seja o peso de um comboio- o tal comboio ultra-rápido que que desliza sem atrito sobre uma almofada magnética.
O que torna um material supercondutor?
Aqui entra a Mecânica Quântica.
O electrão, ou melhor, os estados de um electrão, é descrito pela função de onda psi, que obedece à equação de Schrodinger. Cada electrão tem a sua função de onda.O electrão é um fermião porque tem spin semi-inteiro e obedece ao principio de exclusão de Pauli.
Além dos fermiões existem na Natureza os bosões, que são partículas de spin inteiro e que contrariamente aos seus primos fermiões que são celibatários estes são gregários.Claro que cada bosão tem a sua própria função de onda. Quando se tem um gás de bosões, abaixo de uma certa temperatura, todos os bosões “caiem” no mesmo estado quântico, comportando-se como super-átomo, todos os seus constituintes desse super-átomo agem correlacionados,os bosões perdem a sua individualidade porque as ondas individuais se somaram em fase e temos agora uma onda única. É o condensado Bose-Einstein- este novo estado quântico tem dimensões macroscópicas (ver o post O Novo Estado da Matéria, de 4 de Março de 2012).
Um supercondutor é uma espécie de condensado de Bose-Einstein. Os electrões ao agirem colectivamente comportam-se como um único electrão, descrito por uma única função de onda. Mas há aqui um erro: os electrões não são bosões, são fermiões. No entanto…Um par de electrões terá um spin inteiro, e constitui um bosão, e assim poderemos ter, abaixo da temperatura crítica, o Condensado de Bose-Einstein . Mas como ter um par de eletrões se estes são repelidos electrostaticamente?
O físico N.Cooper imaginou a seguinte situação:no metal os electrões interagem com os iões positivos da rede cristalina.Suponhamos um electrão que atrai um ião da sua vizinhança. Os iões respondem movendo-se ligeiramente na direcção do electrão criando um excesso de carga positiva à volta deste. Um segundo electrão é agora atraído pela polarização localizada à volta do primeiro electrão e, desta forma,os electrões sentem uma atracção efectiva. O que o electrão vê não é a carga negativa do outro mas a carga positiva devida à deformação da rede que ele provoca. Estes dois electrões constituem o célebre par de Cooper.
Os pares de Cooper abaixo da temperatura crítica sofrem a condensação Bose-Einstein,isto é, todos os pares de Cooper “caiem” no mesmo estado quântico, descritos por uma única função de onda,tornando-se insensíveis às perturbações da rede cristalina, e o metal torna-se supercondutor.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
A Descoberta Da Mais Longínqua SuperNova
A noticia da descoberta da supernova mais distante baptizada de SN SCP-0401( também chamada de Mingus) encontra-se aqui:
http://arxiv.org/abs/1205.3494
Esta nova supernova, descoberta com a ajuda do telescópio Hubble, é do tipo Ia e encontra-se a dez mil milhões de ano-luz. O que é notável nesta descoberta é :"is exceptional for its detailed spectrum and precision color measurement, unprecedented in a supernova so distant.", nas palavras do astrofísico David Rubin.
Existem dois tipos diferentes de supernovas: supernovas do tipo I e do tipo II. As primeiras apresentam as linhas de emissão do Hidrogénio e as outras não.
As supernovas do tipo II são as que resultam da morte de uma estrela muito massiva que ainda contém hidrogénio na sua atmosfera. Quando a estrela explode os átomos de hidrogénio são excitados e começam a emitir as linhas de emissão luz características desse elemento químico. Por isso essa supernovas apresentam as linhas de emissão do hidrogénio no seu espectro. Em 1987 foi descoberta uma supernova desse tipo no Hemisfério Sul, nas Nuvens de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa, baptizada 1987A.
As supernovas do tipo I subdividem-se em três tipos: Ia, Ib, Ic.
As do tipo Ib e Ic explodem pela mesmo mecanismo das do tipo II, só que antes da sua morte já perderam as camadas exteriores, podendo perdê-las em forma de vento solar ou, se estiverem acompanhadas de outra estrela num binário de estrelas, transferindo a sua massa para a estrela-companheira. Se permanecer suficiente massa no núcleo a estrela morre como uma supernova Ib. Em virtude de ter perdido o hidrogénio esta supernova não exibe as linhas do hidrogénio, mas as riscas de emissão do hélio.
As supernovas IC perderam mais massa que as Ib portanto no seu espectro não se encontra nem a presença de Hélio nem de Hidrogénio.
O mecanismo de produção das supernovas Ia é totalmente diferente. Elas não resultam da morte de uma estrela massiva, como as anteriores, mas de uma reacção nuclear de uma anã branca que canibalizou a massa de uma gigante vermelha que partilhava o binário , até atingir o fatídico limite- o limite de Chandrasekhar, começando a fusão do carbono e terminando numa explosão tremenda.
Estas últimas supernovas são muito queridas pelos astrónomos porque permitem determinar as maiores distâncias inter-galácticas. A razão é muito simples: além de serem muito luminosas existe uma relação muito simples entre a luminosidade máxima e a taxa de decaimento da luminosidade após esse máximo, sendo por essa razão chamadas de velas cósmicas. Graças ao telescópio Hubble e à equipa do prof. David Rubin temos uma nova vela cósmica no espaço, que nasceu aproximadamente à 3,7 mil milhões de anos.
http://arxiv.org/abs/1205.3494
Esta nova supernova, descoberta com a ajuda do telescópio Hubble, é do tipo Ia e encontra-se a dez mil milhões de ano-luz. O que é notável nesta descoberta é :"is exceptional for its detailed spectrum and precision color measurement, unprecedented in a supernova so distant.", nas palavras do astrofísico David Rubin.
Existem dois tipos diferentes de supernovas: supernovas do tipo I e do tipo II. As primeiras apresentam as linhas de emissão do Hidrogénio e as outras não.
As supernovas do tipo II são as que resultam da morte de uma estrela muito massiva que ainda contém hidrogénio na sua atmosfera. Quando a estrela explode os átomos de hidrogénio são excitados e começam a emitir as linhas de emissão luz características desse elemento químico. Por isso essa supernovas apresentam as linhas de emissão do hidrogénio no seu espectro. Em 1987 foi descoberta uma supernova desse tipo no Hemisfério Sul, nas Nuvens de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa, baptizada 1987A.
As supernovas do tipo I subdividem-se em três tipos: Ia, Ib, Ic.
As do tipo Ib e Ic explodem pela mesmo mecanismo das do tipo II, só que antes da sua morte já perderam as camadas exteriores, podendo perdê-las em forma de vento solar ou, se estiverem acompanhadas de outra estrela num binário de estrelas, transferindo a sua massa para a estrela-companheira. Se permanecer suficiente massa no núcleo a estrela morre como uma supernova Ib. Em virtude de ter perdido o hidrogénio esta supernova não exibe as linhas do hidrogénio, mas as riscas de emissão do hélio.
As supernovas IC perderam mais massa que as Ib portanto no seu espectro não se encontra nem a presença de Hélio nem de Hidrogénio.
O mecanismo de produção das supernovas Ia é totalmente diferente. Elas não resultam da morte de uma estrela massiva, como as anteriores, mas de uma reacção nuclear de uma anã branca que canibalizou a massa de uma gigante vermelha que partilhava o binário , até atingir o fatídico limite- o limite de Chandrasekhar, começando a fusão do carbono e terminando numa explosão tremenda.
Estas últimas supernovas são muito queridas pelos astrónomos porque permitem determinar as maiores distâncias inter-galácticas. A razão é muito simples: além de serem muito luminosas existe uma relação muito simples entre a luminosidade máxima e a taxa de decaimento da luminosidade após esse máximo, sendo por essa razão chamadas de velas cósmicas. Graças ao telescópio Hubble e à equipa do prof. David Rubin temos uma nova vela cósmica no espaço, que nasceu aproximadamente à 3,7 mil milhões de anos.
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