Existem muitas outras formas de simetria como a simetria esquerda-direita (simetria de reflexão), de que é exemplo o rosto humano, apesar dessa simetria não ser totalmente exacta como sabemos.
Mas o tema deste post não é a simetria dos objectos mas a simetria contida nas próprias leis da Natureza que regulam o comportamento desses objectos.
Diz-se que uma lei é simétrica quando não muda, quaisquer que sejam os observadores ou as condições de observação. As leis da Natureza são as mesmas qualquer que seja a orientação do laboratório onde foram estudadas. Como assim? A maçã cai verticalmente e temos uma direção privilegiada no espaço! Pois, mas essa direção é apenas privilegiada em consequência do facto acidental de vivermos numa Terra esférica, que graças à sua massa atrai gravitacionalmente os corpos para o seu centro!
As leis físicas são invariantes relativamente ao espaço e ao tempo. Pouco importa que Kepler tenha descoberto as suas leis em1609 e não em 2012 ou que as experiências do CERN seja conduzidas aqui ou na Suiça.
As leis da Natureza possuirão também uma simetria de reflexão, a simetria esquerda-direita? O mundo de um espelho será diferente do mundo que é espelhado? O espelho troca apenas a esquerda com a direita: as duas bolas que colidem na mesa de bilhar seguem as mesmas leis de conservação do momento linear que as duas bolas que vemos colidir no espelho com as direções trocadas apenas.
Mas essa imparcialidade manifestar-se-á com todas leis da Natureza? Por exemplo a simetria direita-esquerda também subjaz nos fenómenos radioactivos, quando um elemento químico se transforma noutro elemento químico?
Para responder experimentalmente a essa questão a física Chien Wu refrigerou núcleos de cobalto radioactivo a uma temperatura muito baixa , para diminuir a agitação térmica, e obrigá-los todos a terem a mesma direção eixo norte-sul, que passou a ser a direção do spin nuclear. O cobalto transforma-se em níquel segundo a seguinte reação nuclear
Cobalto-----> Níquel +electrão+(anti)neutrino
O objectivo da experiência era muito simples: limitar-se a “ver” e registar qual a direção tomada pelos electrões que saiem a grande velocidade do núcleo do cobalto.
O que ela e o seu grupo experimental “viram” foi:
Os electrões exibem uma clara preferência pelo Sul, numa direção oposta ao do spin nuclear!
Se a experiência fosse realizada no mundo-espelho o sentido de rotação do spin seria oposto, e a direção do spin nuclear seria também oposta, na direção sul, mas a direção dos electrões seria a mesma com a direção alinhada com a direção do spin nuclear.
A Sra. Wu conseguiu demonstrar que há processos físicos cuja imagem no espelho não existem.
Como a radioactividade é uma manifestação da interação fraca a conclusão é que nesta interação (e só nesta) há violação de uma simetria fundamental: a simetria esquerda-direita. E a violação dessa simetria(simetria de paridade) acarreta um facto curioso. Os neutrinos só se deixam conhecer na interação fraca, por isso os neutrinos são todos canhotos(e os antineutrinos dextros). Se tivéssemos uma Senhora –Neutrino (constituída apenas por neutrinos) ela nunca veria a sua imagem num espelho! Tal como os vampiros que, como sabemos, não veem a sua imagem refletida no espelho…
