Reparem 1º na enorme massa da Lua. É verdade que Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno possuem satélites de massa comparável à da Lua, mas estes planetas gigantes têm, respectivamente,318,95,15 e 17 vezes a massa da Terra. O diâmetro da Lua é aproximadamente ¼ do diâmetro da Terra enquanto os diâmetros de Júpiter e Úrano são cerca de 30 vezes o diâmetro dos seus maiores satélites e Saturno e Neptuno,respectivamente,23 e 18 vezes maiores que as suas luas de maiores dimensões.
E se pensarmos nos planetas telúricos a Terra é o único que tem uma Lua com esta importância. Mercúrio e Vénus nem sequer têm satélites. Marte tem 2, Fobos e Deimos mas chamá-los de luas apenas por condescendência pois com diâmetros respectivamente de 28 e 16 km na verdade são mais semelhantes a asteroides.
E esta companheira tão singular e misteriosa (pois só nos mostra uma das suas faces) do nosso planeta é fundamental para a vida na Terra.
Sim, todos sabemos, dependemos em tudo do nosso Sol, desde a circulação das massas de ar na atmosfera até à fotossíntese, o início de toda a cadeia alimentar.
Mas não basta uma fonte de luz, é igualmente necessário que o corpo que a recebe o faça nas condições adequadas. O astrónomo francês Jacques Laskar, e os seus colegas do Gabinete das Longitudes de Paris, descobriram que na ausência da Lua o eixo de rotação da Terra se comportaria de uma forma inteiramente errática, exibindo variações desde uma posição perpendicular ao plano da eclíptica até estar deitada sobre ela como acontece com Úrano. Nos períodos no decurso dos quais a Terra se mantivesse direita a quantidade de calor solar recebida em cada ponto do globo seria constante ao longo do ano. Mas nas alturas que estivesse deitada como Úrano os habitantes da Terra estariam sujeitos a variações climáticas extremas: durante 6 meses metade da Terra estaria mergulhada na escuridão e no frio glacial de um Inverno interminável enquanto esta mesma metade seria em seguida banhada pela luz ofuscante do Sol e por um calor tórrido durante um longo Verão de meio ano. Com tais extremos climáticos, que nos cairiam em cima de um momento para o outro (não podíamos prever o comportamento caótico do eixo de rotação da Terra) a vida teria dificuldades em desenvolver-se. Assim, ao refrear o comportamento inconstante da Terra, a Lua permitiu ao homem fazer a sua aparição.
E ainda há outro motivo para estarmos gratos à Lua pela sua presença: a duração dos nossos dias. Como todos sabemos ela está na origem das marés. O vaivém destas últimas faz com que a massa de água dos oceanos friccione a crosta terrestre, libertando calor. A Terra perde assim a sua energia de rotação e aumenta o tempo a dar uma volta completa sobre si própria. É verdade que o aumento da duração do dia é apenas de 0,002 segundos por século. Mas recuarmos até 350 milhões de anos o dia durava apenas 22h. E há uns milhares de milhões de anos a duração do dia era apenas de 3h!
Mas a Terra também exerce forças (forças de maré) sobre a Lua que tendem a travar o movimento de revolução desta em torno do nosso planeta. O efeito dessa travagem é o alargamento da sua órbita em cerca de 3,5 cm por ano…e chegará o tempo em que a Lua consumará o seu divórcio com o nosso pequeno planeta azul.
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