Em Julho último todos
assistimos ao magnifico triunfo do reducionismo em Física- a descoberta do
bosão de Higgs. Como todos sabemos a Física das Partículas é o expoente máximo
dessa ideologia- a crença que só através
da redução da matéria aos seus componentes
últimos (ou um qualquer fenómeno complexo) se chegará ao seu entendimento
cabal.
O desenvolvimento acelerado
da Física contudo começou a revelar as limitações do modelo reducionista. A
descoberta (acidental) do efeito de Hall quântico em 1980 por Klaus von
Klitzing é considerado por alguns físicos como o
momento em que “a física saíu da era reducionista para entrar na era da emergência (há
quem se refira este momento como a transição da era da física para a era da
biologia)”, nas palavras do físico Robert B. Laughlin, no seu livro “um Universo
Diferente”, publicado pela Gradiva. Ele próprio foi um dos físicos que explicou
teoricamente esse efeito, ganhando o prémio Nobel em 1998 (na verdade Laughlin
explicou uma versão ligeiramente diferente- o efeito de Hall quântico
fraccionário).
O efeito de Hall foi
descoberto em 1879 por Edwin Hall quando trabalhava para a sua tese de
doutoramento.
Quando um íman é colocado
perto de um fio que transporta corrente eléctrica desenvolve-se uma diferença
de potencial perpendicular à direcção da corrente. Como todos sabemos os
electrões sujeitos ao campo magnético do íman sofrem a força de Lorentez que os
deflecte( para a esquerda ou para a direita depende do sinal do portador da
carga),e assim acumulam-se num dos lados do fio até que a diferença de
potencial criado por eles compense exactamente a deflexão magnética. Isso secede quando Ey = vxBz
. O coeficiente de Hall é definido como RH =
Ey /Bzjx
(como a densidade de corrente é jx = vx nq
, RH =1/nq
, quer dizer a a importância do efeito Hall é permitir-nos determinar não só a
densidade dos portadores de carga,n, como também o sinal do portador de carga,
q.) Os símbolos têm o significado habitual.
A temperaturas muito baixa intervém a Mecânica Quântica e um gráfico da
resistência de Hall já não é uma linha contínua como se depreende da fórmula RH = Ey /Bzjx
mas um gráfico em escada.
E isto sucede porque a resistência de Hall ,RH ,
está quantizada:
RH = h/ie2
h= constante de Planck ; e = carga do electrão ; i = número inteiro
Na verdade essa nova
equação designa-se como resistência de von Klitzing e fazendo i=1 teremos
Repare-se na enorme precisão com que é determinada RK
: uma parte em 10 mil milhões! Por este facto este valor de RK é a
actual medida standard da resistência eléctrica.
Mas o espantoso deste valor de RK não é apenas o valor da
sua precisão mas principalmente que
esta precisão é obtida através de amostras
imperfeitas. Seria de esperar quE a imperfeição da amostra prejudicasse a
precisão da medida- mas tal não sucede. Mas se a medida de RK
dependesse apenas dos seus blocos
constituintes as imperfeições apenas prejudicariam a precisão da medida, o que
não acontece em absoluto! Mais ainda a precisão da quantificação desaparece se
a amostra for demasiado pequena- a extraordinária precisão de RK
tratar-se-á de um fenómeno colectivo? Inexplicável pela ideologia reducionista?
A Física saíu da era reducionista como sustenta Robert Laughlin?


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