quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Força de Coriolis- A Realidade e o Mito


Todos nós sabemos que as leis de Newton apenas mantêm a sua validade apenas em refenciais inerciais. Como o nosso planeta roda perde o seu estatuto priveligiado de referencial inercial, e as leis de Newton só se podem aplicar à custa da introdução de duas novas forças: a força centrífuga e a força de Coriolis. Este post é dedicado apenas à última destas duas forças.
A força de Coriolis -2mw x v (w= velocidade angular da Terra; v= velocidade da partículas; m = massa) significa que uma partícula projectada no plano horizontal (no Hemisfério Norte) sofrerá um desvio para a direita,relativamente à partícula, e para a esquerda no Hemisfério Sul.
Os movimentos das massas de ar na atmosfera e as correntes marítimas reflectem a presença da força de Coriolis.Por exemplo, as massas de ar rodam no sentido anti-horário (no Hemisfério Norte) como resultado da existência de um centro de baixas pressões combinado com a  aceleração de Coriolis, como se vê facilmente nas fotografias de satélite.
Até aqui o terreno era estritamente científico, mas a partir desta parte do texto entramos em águas movediças em que a realidade se mistura com a mistificação.
Faz parte da “voz populi” que quando a água escorre num vulgar lavatório, entra em acção a força de Coriolis: no Hemisfério Norte a água escoa-se no sentido anti-horário e ao contrário no Hemisfério Sul. Será mesmo assim?
Façam a experiência: encham de água um lavatório, imprimam à água um sentido de rotação, digamos horário. Aguardem un minutos até a água parecer estar em repouso.Nessa altura destapem o lavatório. Verão que a água se escoa no ralo rodando no sentido horário. Repitam a experiência mas repetindo o movimento de rotação no sentido anti-horário. Verão que agora a água escoará no sentido anti-horário. A força de Coriolis não existe? Existe! Mas para se entender o que se passa teremos que fazer um pequeno cálculo.
A aceleração  de Coriolis é 2w.v.senL, em que L representa a latitude do lugar ( latitude de Lisboa = 38º). Em termos aproximados 2.w.senL = 10^(-4)s-1, se aceitarmos para a velocidade de escoamento da água no ralo 1 cm/s, a aceleração de Coriolis tem o insignificante valor de 10 ^(-6) m/s. Isso significa que a força de Coriolis imprime à água que se escoa, num segundo,  o desprezável valor de 1 mícron/segundo.
A causa do escoamento da água no lavatório não tem nada a ver com a Força de Coriolis mas sim com as rotações residuais na água invísiveis a olho nú, por restrições geométricas ( a geometria do lavatório pode induzir um determinado sentido de rotação no enchimento), e ainda a outros factores.
Até aqui temos uma experiência que atribui uma importância exagerada ao factor Coriolis, mas a seguinte experiência é do domínio da mistificação pura.
Em certos países equatoriais alguns dos seus habitantes, a título de atracção turística, enchem uma bacia com água e quando esta se esvazia a água escoa-se  no sentido horário. Alguns passos adiante, depois de cruzarem o Equador, repetindo a experiência, a água escoa-se no sentido contrário. “funciona mesmo!”, exclamam os turistas embasbacados (vi esse feito num episódio da National Geografic). O que sucedeu foi que as mãos hábeis e discretas desse habitante equatorial provocaram um sentido de rotação inicial à água, mas como o incauto habitante não tinha estudado física fez tudo ao contrário, a água na bacia colocada no Hemisfério Norte escoou no sentido horário em vez de ter girado no sentido anti-horário para obdecer realmente às equações de Coriolis!

Sem comentários:

Enviar um comentário