segunda-feira, 8 de outubro de 2012

De Novo o Bosão de Higgs…e as Dimensões Extra



Como já me referi num post anterior a sensacional descoberta do bosão de Higgs não é o final de uma emocionante e dispendiosa história mas o começo de outra não menos emocionante, apenas mais barata porque poderá ter um final feliz na mesma máquina que o descobriu, o LHC.

Porque razão o Higgs é  tão“levezinho” (recordo valor da sua massa encontrado pelos físicos do CERN, 126 Gev)? Esta pergunta não é tão fútil como poderá parecer à primeira vista. No domínio das altas energias as partículas obedecem à mecânica quântica (MQ), e uma (outra!) consequência inevitável desta é a existência de partículas virtuais, espécie de partículas-fantasmas que devem a sua existência ao princípio de incerteza de Heisenberg: num curtíssimo intervalo de tempo a MQ permite a violação do princípio da conservação de energia e, “aproveitando-se” dessa “brecha” chegam à existência novas partículas, mas só enquanto dura aquela violação ao princípio sagrado da conservação de energia, depois voltam à não-existência – daí o seu nome, partículas virtuais. Mas enquanto duram comportam-se como vulgares partículas, e um dos seus efeitos (devastador!) é contribuir para a massa do Higgs. Somando todas as contribuição das partículas virtuais o seu “verdadeiro” valor teria que ser 10^19 GeV e não esses misérrimos 126 GeV descobertos no LHC. Este problema é tão fundamental que foi baptizado como o problema da hierarquia.

Neste momento existem três soluções teóricas que procuram responder ao  problema da hierarquia e que competem entre si: 1- Uma teoria chamada technicolor; 2- A teoria supersimétrica; 3-Dimensões extra (de grandes dimensões). É esta última o objecto deste post. Para isso é necessário reformular o problema da hierarquia:
Porque razão a gravidade é uma força tão pequena, desprezável mesmo, quando comparada com a força electromagnética, a força fraca e a força forte?

A pergunta acima não é absolutamente rigorosa. Na verdade a débil força gravítica pode rivalizar com o Sansão da Física, a força forte, quando as massas das partículas são comparáveis a uma grandeza que se chama massa de Planck, que é da ordem de 10^19 GeV. Mas infelizmente no nosso mundo as partículas são “magrinhas”, veja-se  a massa do famoso Higgs: 126 GeV!!!!!!!Que desprezível.
Mas…talvez a gravidade seja mesmo uma força muito intensa mas apenas em…universos com dimensão extra! E exiba uma intensidade tão fraca apenas no nosso universo com 3 dimensões espaciais (e uma dimensão temporal), pois a sua intensidade está distribuída pelas outras dimensões espaciais que apesar de não serem minúsculas são indetectáveis.  

Como poderemos saber que existem? Graças ao LHC, esperam alguns teóricos. A energia da gravidade extra dimensional está ao alcance da energia alcançada pelo LHC- 14 TeV. Da colisão dos protões poderá resultar um novo par de partículas, as partículas KK (KK é uma abreviatura dos dois primeiros físicos,Kaluza e Klein que conceberam novas dimensões para além do Universo de Einstein a 4 dimensões,4D) , que são uma manifestação do gravitão extradimensional (a partícula que transporta a força gravítica no universo multidimensional)  no nosso pobre mundo 3D. E como as identificamos? Pela a energia e o momento linear em falta (é a maneira como se detecta o neutrino).

Resumindo, a interacção gravítica apenas parece fraca no nosso universo, pois em dimensões extra é um autêntico Sansão! Que as partículas KK surjam da fornalha do LHC! E expliquem o mistério do problema da hierarquia!

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