quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Descoberta Da Mais Longínqua SuperNova

A noticia da descoberta da supernova mais distante baptizada de SN SCP-0401( também chamada de Mingus) encontra-se aqui:
http://arxiv.org/abs/1205.3494
Esta nova supernova, descoberta com a ajuda do telescópio Hubble, é do tipo Ia e  encontra-se a dez mil milhões de ano-luz. O que é notável nesta descoberta é :"is exceptional for its detailed spectrum and precision color measurement, unprecedented in a supernova so distant.", nas palavras do astrofísico  David Rubin.
Existem dois tipos diferentes de supernovas: supernovas do tipo I e do tipo II. As primeiras apresentam as linhas de emissão do Hidrogénio e as outras não.
As supernovas do tipo II são as que resultam da morte de uma estrela muito massiva que ainda contém hidrogénio na sua atmosfera. Quando a estrela explode os átomos de hidrogénio são excitados e começam a emitir as linhas de emissão  luz características desse elemento químico. Por isso essa supernovas apresentam as linhas de emissão do hidrogénio no seu espectro. Em 1987 foi descoberta uma supernova desse tipo no Hemisfério Sul, nas Nuvens de Magalhães, uma galáxia vizinha da nossa, baptizada 1987A.

As supernovas do tipo I subdividem-se em três tipos: Ia, Ib, Ic.
As do tipo Ib e Ic explodem pela mesmo mecanismo das do tipo II, só que antes da sua morte já perderam as camadas exteriores, podendo perdê-las em forma de vento solar ou, se estiverem acompanhadas de outra estrela num binário de estrelas, transferindo a sua massa para a estrela-companheira. Se permanecer suficiente massa no núcleo a estrela morre como uma supernova Ib. Em virtude de ter perdido o hidrogénio esta supernova não exibe as linhas do hidrogénio, mas as riscas de emissão do hélio.

As supernovas IC perderam mais massa que as Ib portanto no seu espectro não se encontra nem  a presença de Hélio nem de Hidrogénio.
O mecanismo de produção das supernovas Ia é totalmente diferente. Elas não resultam da morte de uma estrela massiva, como as anteriores, mas de uma reacção nuclear de uma anã branca que canibalizou a massa de uma gigante vermelha que partilhava o binário , até atingir o fatídico limite- o limite de Chandrasekhar, começando a fusão do carbono e terminando numa explosão tremenda.
Estas últimas supernovas são muito queridas pelos astrónomos porque permitem determinar as maiores distâncias inter-galácticas. A razão é muito simples: além de serem muito luminosas existe uma relação muito simples entre a luminosidade máxima e a taxa de decaimento da luminosidade após esse máximo, sendo por essa razão chamadas de velas cósmicas. Graças ao telescópio Hubble e à equipa do prof. David Rubin temos uma nova vela cósmica no espaço, que nasceu aproximadamente à 3,7 mil milhões de anos.


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