quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Vida Humana É Realmente Fugaz?



A vida humana é realmente fugaz?
Desde a primeira epopeia  trágica sobre o destino do Homem – a Epopeia de Gilgamesh escrita em  tabuinhas de argila ,dois mil e trezentos antes de Cristo, sobre o mítico rei Gilgamesh que parte em busca da imortalidade mas não a alcança- até ao científico século XXI que o  Homem lamenta a efemeridade da sua vida.
De tudo o que a Ciência nos legou o homem comum privilegia as suas proezas tecnológicas. Para mim, contudo (mesmo estando situado ao nível do homem comum), o que mais me impressiona é a descoberta da verdadeira escala do Universo físico e a verdadeira escala de tempo, quer dizer, o menor intervalo de tempo em que um objecto ou fenómeno dura e o maior intervalo de duração em que pode substituir uma entidade.
Onde nos situamos nós entre a menor duração e a maior duração?
Onde nos situamos nós entre o objecto ou fenómeno de menores dimensões e o de maiores dimensões?
A Física conseguiu encontrar o mais pequeno intervalo de tempo, o tempo de Planck, da ordem dos 10 X Exp( -43) s até o objecto mais duradouro, o próprio Universo observável da ordem 10 x Exp(20) s.
Também conseguiu encontrar o menor comprimento fisicamente concebível, o comprimento de Planck, da ordem 10 X Exp( -30 ) m e o raio do Universo visível, da ordem dos 10xExp (27) m (14 mil milhões de anos).
Entre estes extremos encontramo-nos nós, e as células, e as estrelas; encontramo-nos nós e o tempo de vida do bosão de Higgs, o tempo de vida de um neutrão livre, a duração de uma galáxia.
Agora vamos ver onde situar todos estes objectos conhecidos numa escala perceptível ao  nosso entendimento. E como é comum quando estamos perante ordens de grandeza  tão díspares usaremos a escala logarítmica. E para que não se  pense que estou a usar um mero artificio argumentativo darei o exemplo da intensidade sonora. Como todos sabemos o som mais fraco  tem intensidade da ordem do 10 X Exp (- 12) Watt/m2 e o som mais intenso é da ordem de 1 watt/m2. Para nos darmos conta de um fenómeno que abrange 12 ordens de grandeza usamos o Decibels (dB), que é uma escala logarítmica. E assim o som mais fraco corresponde a 0 dB e o som mais forte 150 dB.
Na verdade tanto a resposta do nosso ouvido ao som como a resposta do nosso olho à luz não é linear mas logarítmica.
Colocando tanto a dimensão dos objectos conhecidos como a sua duração  numa escala logarítmica teremos o seguinte diagrama abaixo.
PS  Na escala dos espaços os 3 últimos números são respectivamente 10 x Exp – 10) m,
10 x Exp (– 20) m e 10 x Exp (– 30) m

Vistos na escala logarítmica comparados ao comprimento de Planck somos enormes! Claro que comparados com a distância do universo observável somos muito pequenos.
Mas agora reparem nas dimensões temporais: a existência humana é quase tão longa como o Universo!  Somos estruturas bastantes estáveis no universo. Esperavam isso? Basta pensarmos logaritmicamente não linearmente.
Direi mais: do ponto de vista logarítmico todas as coisas vivas, desde os organismos unicelulares às baleias, têm aproximadamente a mesma dimensão intermédia.
Nós, seres humanos, não experimentamos directamente nem a física do muito grande nem a do muito o pequeno.
Para mim essa foi das maiores descobertas da Ciência: uma nova forma  de nos situarmos nesse Universo imenso, misterioso, mágico mesmo.

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