A vida humana é realmente fugaz?
Desde a primeira epopeia trágica sobre o destino do Homem – a Epopeia de Gilgamesh escrita em tabuinhas de argila ,dois mil e trezentos antes de Cristo, sobre o mítico rei
Gilgamesh que parte em busca da imortalidade mas não a alcança- até ao
científico século XXI que o Homem
lamenta a efemeridade da sua vida.
De tudo o que a Ciência nos legou o homem comum privilegia as
suas proezas tecnológicas. Para mim, contudo (mesmo estando situado ao nível do
homem comum), o que mais me impressiona é a descoberta da verdadeira escala do
Universo físico e a verdadeira escala de tempo, quer dizer, o menor intervalo
de tempo em que um objecto ou fenómeno dura e o maior intervalo de duração em
que pode substituir uma entidade.
Onde nos situamos nós entre a menor duração e a maior
duração?
Onde nos situamos nós entre o objecto ou fenómeno de menores
dimensões e o de maiores dimensões?
A Física conseguiu encontrar o mais pequeno intervalo de
tempo, o tempo de Planck, da ordem
dos 10 X Exp( -43) s até o objecto mais duradouro, o próprio Universo
observável da ordem 10 x Exp(20) s.
Também conseguiu encontrar o menor comprimento fisicamente concebível,
o comprimento de Planck, da ordem 10
X Exp( -30 ) m e o raio do Universo visível, da ordem dos 10xExp (27) m (14 mil
milhões de anos).
Entre estes extremos encontramo-nos nós, e as células, e as
estrelas; encontramo-nos nós e o tempo de vida do bosão de Higgs, o tempo de
vida de um neutrão livre, a duração de uma galáxia.
Agora vamos ver onde situar todos estes objectos conhecidos
numa escala perceptível ao nosso
entendimento. E como é comum quando estamos perante ordens de grandeza tão díspares usaremos a escala logarítmica. E
para que não se pense que estou a usar
um mero artificio argumentativo darei o exemplo da intensidade sonora. Como
todos sabemos o som mais fraco tem
intensidade da ordem do 10 X Exp (- 12) Watt/m2 e o som mais intenso
é da ordem de 1 watt/m2. Para nos darmos conta de um fenómeno que
abrange 12 ordens de grandeza usamos o Decibels (dB), que é uma escala logarítmica.
E assim o som mais fraco corresponde a 0 dB e o som mais forte 150 dB.
Na verdade tanto a resposta do nosso ouvido ao som como a resposta
do nosso olho à luz não é linear mas logarítmica.
Colocando tanto a dimensão dos objectos conhecidos como a
sua duração numa escala logarítmica
teremos o seguinte diagrama abaixo.
PS Na escala
dos espaços os 3 últimos números são respectivamente 10 x Exp – 10) m,
10 x Exp (– 20) m e 10 x Exp (– 30) m
Vistos na escala logarítmica comparados ao comprimento de
Planck somos enormes! Claro que comparados com a distância do universo observável
somos muito pequenos.
Mas agora reparem nas dimensões temporais: a existência humana é quase tão longa como
o Universo! Somos estruturas
bastantes estáveis no universo. Esperavam isso? Basta pensarmos
logaritmicamente não linearmente.
Direi mais: do ponto de vista logarítmico todas as coisas
vivas, desde os organismos unicelulares às baleias, têm aproximadamente a mesma
dimensão intermédia.
Nós, seres humanos, não experimentamos directamente nem a
física do muito grande nem a do muito o pequeno.
Para mim essa foi das maiores descobertas da Ciência: uma
nova forma de nos situarmos nesse
Universo imenso, misterioso, mágico mesmo.
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